Suspensão de compras de carne brasileira é proposto por Senador dos EUA

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Foto: Reuters

O senador americano Jon Tester, do Partido Democrata, apresentou hoje (18/11) um projeto de lei para suspender as importações de carne bovina do Brasil. O parlamentar alega que as autoridades brasileiras demoraram para notificar a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) sobre os dois casos de encefalopatia espongiforme bovina (EEB), também conhecida como mal da “vaca louca”, confirmados em setembro. 

Segundo ele, o Brasil demorou muito mais para informar a OIE sobre os casos do que outros países que enfrentaram o mesmo problema. “Em 3 de setembro de 2021, o Brasil anunciou dois casos de EEB atípica detectados em junho do mesmo ano. A maioria dos países relata casos semelhantes imediatamente. Neste ano, Reino Unido e Alemanha relataram casos alguns dias depois de sua ocorrência”, disse, em nota. 

O senador alega que o atraso gerou uma “quebra de confiança”. “Isso tem sido uma ocorrência rotineira. O Brasil também esperou meses ou até anos para relatar casos semelhantes em 2019, 2014 e 2012”, acrescentou. 

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Sob esse argumento, o parlamentar pede em seu projeto o embargo das importações até que especialistas possam conduzir uma “revisão sistemática da segurança do produto”. Vale lembrar que, após notificar a notificação à OIE, em setembro, o órgão concluiu dias depois que o risco de contaminação do rebanho brasileiro era “insignificante”. 

“Embora casos raros e únicos de EEB atípica não indiquem necessariamente problemas sistêmicos com a saúde do rebanho bovino brasileiro, atrasos repetidos nos relatórios sugerem um regime de segurança alimentar excessivamente frouxo e levantam preocupações sobre o relato de doenças perigosas adicionais, como a febre aftosa, peste suína africana e gripe aviária”, concluiu Tester. 

Os casos atípicos de “vaca louca”, ocorridos em Minas Gerais e Mato Grosso, obrigaram o Brasil a fazer um autoembargo de suas vendas para a China, maior comprador da carne bovina do país. De acordo com um protocolo sanitário entre os dois países, agora cabe aos chineses definirem quando os embarques serão retomados. A pendenga já se estende por mais de dois meses. 

No entanto, apesar do embargo chinês, os frigoríficos brasileiros têm encontrado grandes oportunidades no mercado americano. O país restabeleceu a entrada da carne bovina in natura no começo de 2020, o que ampliou o leque de opções para as negociações.

De janeiro a setembro deste ano, os Estados Unidos importaram US$ 62,3 milhões em carne bovina e derivados do Brasil, um aumento de 36% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com dados compilados pela agência Reuters. Em volume total, os brasileiros foram o segundo maior fornecedor dos americanos durante o período, atrás apenas do México. 

“Há uma ameaça clara associada às importações de carne bovina brasileira que precisamos interromper imediatamente. A criação de um grupo de trabalho permitirá que todos os interessados tenham voz na avaliação da ameaça aos produtores e consumidores americanos”, disse Leo McDonnell, diretor da Associação de Pecuaristas dos EUA (USCA, na sigla em inglês). 

Representante do Estado de Montana, Tester apresenta-se como o único agricultor em atividade do Senado americano. Ele já tem histórico de questionar as exportações brasileiras. Em abril de 2019, o senador apresentou projeto de lei semelhante para testar a carne bovina do Brasil. A iniciativa não avançou.
Valor Econômico

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