Perdão do presidente para deputado é apenas para fortalecer sua base de radicais

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    Daniel Silveira e Bolsonaro. Foto: Reprodução

    Nos últimos dias assistimos com perplexidade o Presidente da República Jair Bolsonaro desacatando uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) ao condenar um deputado que ameaçou juízes de morte e agressão, ameaçou publicamente a instituição através de vídeos publicados na internet, fornecendo ao acusado o indulto da graça, que é uma prerrogativa presidencial garantida em Lei, para que sua prisão não fosse efetivada.

    O políticos mais experientes e já de imediato querendo proteger sua classe, nada mais normal, dizem que Daniel Silveira teria que ser julgado primeiro pela comissão de ética da Câmara dos Deputados pela sua falta de decoro parlamentar diante de uma instituição da democracia brasileira. Quando o cidadão toma posse de cargo eletivo está sujeito ao decoro, que é uma espécie de regras de conduta que os eleitos tem que seguir para evitar os excessos nas palavras e nas atitudes do mesmo.

    Então logo após o deputado ser jugado por essa comissão de ética, poderia ou não ser enviado ao STF para ser julgado. isso poderia evitar todo esse constrangimento ao deputado, resolvendo a situação na própria Câmara dos Deputados.

    O perdão presidencial é legítimo a ser usado no cargo, porém a Lei diz que o indulto da graça deve ser fornecido sem vínculos pessoais, não for de ordem imoral ou que levem a interesses de quem a concede, entre outras regras para o uso do recurso ao agraciado. No caso do deputado Daniel Silveira não se encaixa em nenhuma dessas características, portanto o STF pode levar isso em consideração para argumentar contra a decisão do presidente. Pois não sendo assim o presidente poderia blindar na justiça todos seus aliados envolvidos com crimes e que não são poucos.

    O que fica mais evidente que o deputado agarrou a oportunidade de levar adiante os planos de Bolsonaro que é desacreditar o poder judiciário, pois ainda é única instituição que não se agregou a forma do presidente governar que é dando sua palavra final sempre, esquecendo que o presidente da república não é um mediador das leis.

    Toda essa confusão está servindo apenas para fortalecer a base de seguidores radicais do presidente que como ele querem passar por cima de leis e da constituição. Por outro lado afasta o cidadão mais moderado que entende que o Brasil é uma democracia que possui três poderes, legislativo, executivo e judiciário, onde cada um deles tem seu papel nessa engrenagem.

    O STF apenas julgou julgou Daniel Silveira, através dos trâmites legais justamente por ser uma dessas instituições de poder que regula a harmonia constitucional, e por entender que a Câmara dos Deputados não estava fazendo nada para conter os excessos do deputado, utilizando de seu cargo para criar desarmonia e incitar violência contra um inimigo chamado Supremo Tribunal Federal no qual não se rendeu aos caprichos do presidente no qual Silveira é aliado.

    Esse perdão presidencial fez apenas uma coisa até agora, desviar a atenção para o desemprego inaceitável, inflação nas alturas, preços absurdos e escândalos de corrupção no governo.

    A manobra de jogar parte da população contra o STF também tem como finalidade colocar em dúvida o processo eleitoral, já que as pesquisas indicam que Bolsonaro não será reeleito e com isso usar essa narrativa de que o STF está usando de perseguição política, para colocar dúvidas em parte da população sobre a legitimidade das eleições caso ele venha a perder. Essa estratégia foi usada por Donald Trump nos Estados Unidos e todos lembram como foi o final, invasão ao congresso e até mortes, muitos analistas no Brasil acreditam que Bolsonaro sonha com a mesma coisa, caso perca as eleições.

    O ódio está governando o Brasil, a mesma tática usada por igrejas onde existe um inimigo a ser derrotado, é o que vemos hoje no governo brasileiro que insiste em dizer que nada é sua culpa, mas de forças ocultas que estão fora de seu alcance em resolver. Foi assim acusando governadores na pandemia, por causa da guerra que os preços estão altos e agora ele precisava de uma desculpa para justificar sua derrota nas eleições.

    O brasileiro tem a difícil missão te avaliar todo esse contexto e dizer nas urnas se o que querem para suas vidas, ou é isso que se apresenta até agora ou uma tentativa de mudar todo esse cenário sem garantias é claro, mas pelo menos tentar, mesmo que tente e se decepcione como muitos em relação ao Bolsonaro depois de eleito.

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