Mudança para voto impresso custaria 2,5 bilhões de reais aos cofres públicos

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O presidente Jair Bolsonaro e a deputada federal Bia Kicis (PSL-DF), autora da PEC do voto impresso, participam de missa em Brasília, nesta quinta-feira, dia 1º, Foto:  Marcos Corrêa/Presidência da República

A pauta ideológica do presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores, o voto impresso se tornou nos últimos tempos um tema quase diário em suas conversas no “cercadinho”, local em frente ao Palácio da Alvorada onde costuma interagir com simpatizantes ou em discursos em eventos públicos. Nos últimos oito dias, ele defendeu a proposta em cinco deles.

A última foi na manhã desta quinta-feira, 1º, quando declarou, sem citar nomes, que ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) estariam tentando impedir a instalação do sistema, que está sendo discutido no Congresso por meio de uma PEC apresentada por sua aliada, Bia Kicis (PSL-DF). “Se não tiver, eles (ministros) vão ter que apresentar uma maneira de termos uma eleição limpa”, afirmou.

Apesar de o sistema de votação eletrônico ser seguro, nunca ter registrado uma fraude sequer em sua história e permitir a auditoria dos votos, Bolsonaro disse que está se antecipando “a problemas para o ano que vem”, em mais uma das suas insinuações de possíveis fraudes em 2022. “O voto auditável é para ter a certeza de que quem o povo votar vai ser eleito”, argumentou. “Como está aí, a fraude está escancarada. E não vai ser só para presidente não, vai ser para governador, para senador”, afirmou.

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Geralmente, junto com a defesa do voto impresso, vem a afirmação de que a manutenção do sistema atual servirá para garantir a volta ao poder do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, hoje o seu principal adversário na corrida eleitoral. “Nós queremos eleições limpas no ano que vem, porque tiraram o Lula da cadeia para tornar ele elegível, para ele ser elegível na fraude. Isso não vai acontecer”, afirmou nesta quinta-feira.

Discurso na mesma linha já foi feito em outras oportunidades, como em Chapecó (SC), no dia 26 de junho, após participar de uma “motosseata”.  “Tem eleições ano que vem e, se Deus quiser, com o apoio do parlamento, com voto auditável. Vamos botar um fim na sombra da fraude que deve acontecer, com toda certeza, a cada eleição. Tiraram o vagabundo da cadeia, tornaram esse vagabundo elegível. Querem agora torná-lo presidente pela fraude. Não conseguirão”, disse, de novo referindo-se a Lula.

Custo bilionário
O presidente também costuma rebater o argumento de que a instalação do sistema que ele defende custaria 2,5 bilhões de reais aos cofres públicos, segundo estimativa do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).  “Não adianta vir com argumentozinho de que é muito caro. Dinheiro tem. Já está arranjado o dinheiro para as eleições para comprar impressoras”. No dia 25, em Sorocaba, foi na mesma linha. “Sempre ouvi dizer que a democracia não tem preço. Os dois bilhões de reais, eu já falei com o Paulo Guedes, está garantido”, disse.

Outra citação que ele gosta de fazer ao tratar do tema é aos ministros do STF, em especial a Luis Roberto Barroso, que também é presidente do TSE e um opositor do voto impresso. Bolsonaro já antecipa um possível veto do Supremo à proposta, já que em outras oportunidades a Corte declarou a medida inconstitucional. “Se o Congresso Nacional promulgar a PEC, teremos eleições auditáveis no ano que vem e ponto final. Ninguém mais que o parlamento, que chega lá pelo voto, e eu também, tem mais representatividade. Por que seria inconstitucional uma PEC dessa?”, questionou.

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