Mídia Alemã destaca os protestos contra Bolsonaro e diz que ele faz “jogo ideológico” no país

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No sábado (29), protesto ganhou destaque no principal noticiário da TV alemã

Não só os grandes jornais do país, mas também portais de revistas e diários de alcance apenas regional noticiaram as manifestações de sábado. Principal noticiário da TV alemã deu espaço ao tema em horário nobre.

Os protestos de sábado (29/05) contra o presidente Jair Bolsonaro, que marcaram o fim da trégua da oposição em manifestações de rua, receberam a atenção dos principais jornais, portais e canais de televisão da Alemanha ao longo do fim de semana.

A imprensa alemã destacou, sobretudo, o cansaço da maioria dos brasileiros com um presidente que, apesar do persistente número de vítimas da covid-19 no país, “continua a minimizar a pandemia”.

O assunto ganhou espaço nos sites dos jornais de maior circulação nacional do país, como FAZ, Die Welt e Süddeutsche Zeitung. Também foi noticiado pelos portais da Der Spiegel, revista de maior tiragem da Europa, e do respeitado semanário Die Zeit.

Até em jornais de âmbito regional, como Badische Zeitung, do sudoeste do país, o Kölner Stadt-Anzeiger, da cidade de Colônia, e o Frankfurter Rundschau, da metrópole financeira de Frankfurt, houve registros sobres os protestos.

Portal da revista Spiegel: “Fora, Bolsonaro: dezenas de milhares protestam no Brasil contra o presidente” Foto: Spiegel

No sábado, uma reportagem sobre o protesto foi, além disso, o terceiro tema a entrar no ar durante o Tagesschau, principal e mais antigo noticiário televisivo do país, transmitido em horário nobre no canal público ARD.

O correspondente do canal no Rio de Janeiro, Matthias Ebert, também fez uma entrada das ruas, de cerca de três minutos, para comentar os protestos e a situação da pandemia no Brasil. O vídeo foi transmitido em uma edição mais cedo do noticiário, também no sábado.

“Segundo pesquisas, há uma clara maioria no Brasil contra a política de Bolsonaro para o coronavírus. Mas as pessoas estavam com medo de protestar por causa do vírus”, comenta o repórter à apresentadora do telejornal. “Mas agora, muitos estão dizendo ‘basta’, porque as consequências da política de Bolsonaro são graves demais. Bolsonaro joga um jogo ideológico.”

“O Brasil contra Bolsonaro”

“Dezenas de milhares de pessoas no Brasil protestaram em massa contra o presidente Jair Bolsonaro e sua política para o coronavírus em todo o país. Manifestantes foram às ruas em várias dezenas de cidades no sábado – desde a região quente e úmida da Amazônia, no norte, até o frio do outono, no sul”, escreveu o diário TAZ, sob o título “O Brasil contra Bolsonaro”.

O portal da revista Der Spiegel escreveu que, para muitos brasileiros, Bolsonaro é responsável por “promover a rápida disseminação do coronavírus no maior país da América Latina ao minimizar a pandemia”, e lembrou que o presidente seguidas vezes “lançou dúvidas sobre a eficácia das vacinas”.

“O Brasil contra Bolsonaro”: notícia do protesto no site do jornal TAZ, Foto: TAZ

“Fora, Bolsonaro”, eles cantaram, acusando o chefe de Estado de genocídio. No Recife, a polícia usou balas de borracha e gás lacrimogêneo”, escreveu o site do semanário Die Zeit.

O diário Frankfurter Rundschau, em texto acompanhado por um vídeo dos protestos, destacou também as acusações de “genocida” voltadas contra Bolsonaro e sua postura negacionista em relação à pandemia.

“O ultradireitista Bolsonaro continua a semear dúvidas sobre o perigo representado pelo coronavírus e a eficácia das vacinas. A campanha de vacinação sob seu governo está progredindo muito lentamente”, disse o jornal.

Atos contra o presidente ocorreram em todas as 27 capitais, com presença expressiva em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Ao menos 180 cidades registram protestos, segundo levantamento do portal G1.

Dezenas de milhares de pessoas ocuparam sete quarteirões ao longo da Avenida Paulista, o principal termômetro de protestos no país desde 2013, protagonizando a maior manifestação antigoverno no local em mais de dois anos. Recife foi palco do único incidente ao longo do dia, com a PM local reprimindo violentamente a passeata na cidade.
DW

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