Com popularidade em queda, Bolsonaro se agarra ao Centrão e cria mais ministérios para negociar

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Bolsonaro fará com que o Centrão assuma o comando das duas pastas palacianas que mais dialogam com o Parlamento, Foto: Alan Santos

Com o governo enfraquecido e diante da queda na popularidade, presidente anuncia reforma ministerial para fortalecer a base no Congresso. Mandatário cederá Casa Civil a Ciro Nogueira e desmembrará Ministério da Economia para criar a pasta do Trabalho.

Com a popularidade em queda, ameaçado por pedidos de impeachment e vendo o governo enfraquecido pelas investigações da CPI da Covid, o presidente Jair Bolsonaro recorre cada vez mais a “velha política” — tão criticada por ele durante a campanha ao Planalto. O mandatário abrirá outras frentes no Executivo para domínio do Centrão, de olho no apoio do Congresso para manter a governabilidade. Anunciou, ontem, que reformulará a Esplanada dos Ministérios e deve ampliar a quantidade de pastas. Na próxima semana, possivelmente vai formalizar a recriação do Ministério do Trabalho, atualmente sob o guarda-chuva do Ministério da Economia, além de fazer alterações na composição da Casa Civil e da Secretaria-Geral da Presidência.

Um dos mais próximos aliados de Bolsonaro no Congresso, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) já recebeu o convite para fazer parte do governo. O presidente nacional do PP — principal partido do Centrão — deve assumir a Casa Civil. Luiz Eduardo Ramos, atual ministro da pasta, será remanejado para a Secretaria-Geral, de onde o ministro Onyx Lorenzoni sairá para chefiar o “novo” ministério.

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Uma das dúvidas pendentes é sobre qual será o nome da pasta. Há chances de o ministério ser batizado de Emprego e Previdência, visto que o governo estuda retirar da Economia não apenas as atribuições relativas a trabalho. Dessa forma, o chefe da Secretaria da Previdência, Bruno Bianco, seria realocado para algum cargo executivo no governo.

“Estamos trabalhando uma pequena mudança ministerial, que deve ocorrer na segunda-feira, para ser mais preciso, e para a gente continuar aqui administrando o Brasil”, disse Bolsonaro à rádio Jovem Pan. “Temos uma enorme responsabilidade. Sabia que o trabalho não ia ser fácil, mas realmente é muito difícil. Não recomendo essa cadeira para os meus amigos.”

A reorganização a ser promovida por Bolsonaro fará com que o Centrão assuma o comando das duas pastas palacianas que mais dialogam com o Parlamento. Em março deste ano, o presidente já tinha escolhido a deputada federal licenciada Flávia Arruda (PL-DF) para liderar a Secretaria de Governo, que controla a articulação com o Congresso. A Casa Civil, por sua vez, é considerada o ministério mais importante e o “coração” do Executivo, pois por ela passam todas as decisões e pautas relacionadas ao Planalto.

Agora, com Ciro Nogueira na pasta, Bolsonaro dará mais liberdade para o Centrão indicar quais devem ser as prioridades do governo, em especial, no que diz respeito ao Orçamento. O fato de o senador ser considerado uma pessoa conciliadora e que mantém um bom relacionamento com os demais parlamentares agrada aos partidos de centro que estão na base aliada do chefe do Executivo.

Promessas que não se cumprem

Na campanha de 2018, o então candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, havia prometido não ceder a pressões políticas por cargos nem lotear a equipe. Eleito com um discurso de enxugamento da máquina pública, o mandatário também anunciava uma Esplanada com apenas 15 ministérios. Com a pasta do Trabalho, ele terá 24, nove a mais do que o prometido. Trabalho e Emprego será o segundo ministério recriado por Bolsonaro para acomodar a base aliada. No ano passado, o presidente havia relançado o Ministério das Comunicações para nomear o deputado Fábio Faria (PSD-RN), que está de malas prontas para o Progressistas.
* Com informações do Correio Braziliense

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