Com florestas transformadas em pastos, município do Pará tem alta de temperatura

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Foto: Yuri Ferreira

Um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária em parceria com a UNESP e a Universidade Federal de Viçosa mostrou que as temperaturas da cidade de Belterra (PA) aumentaram devido ao aumento do desmatamento na região nos últimos anos.

O estudo publicado na Revista Brasileira de Meteorologia tinha como principal objetivo entender a influencia da Floresta Nacional dos Tapajós na cidade, que se tornou um polo de produção de grãos e alvo da desflorestação a partir de 1981, que se expandiu até 2010, último ano analisado pela pesquisa.

Os pesquisadores analisaram os dados meteorológicos entre 1961 e 2010. Foi a partir do ano de 1981 que as temperaturas médias de Belterra passam a crescer de maneira observável. Entre 1981 e 2010, as médias da região subiram de 25,2ºC para 26ºC (variação de 0,8ºC). As temperaturas mínimas médias também subiram, de 20,4º para 21,2ºC, no ano final do período.

“Os processos de preparo do solo, por exemplo, dispersam partículas para a atmosfera, contribuindo para a formação de nuvens e impedindo a condução do calor para a atmosfera. Isso possivelmente contribui para o aumento das temperaturas mínimas nas madrugadas em Belterra”, explica Lucas Eduardo de Oliveira Aparecido, coautor do estudo, á Agência Bori.

A conclusão do artigo mostra que a influência e os benefícios da Floresta Nacional do Tapajós inexistem caso as cidades em suas proximidades estejam totalmente desmatadas; além disso, o estudo evidencia que a agropecuária violenta e seu modo de produção irá colaborar para o esgotamento real dos recursos naturais.

“Se os produtores rurais na Amazônia não receberem apoio de políticas públicas que incentivem a mudança desse paradigma – de que áreas com floresta não prestam bens e serviços à sociedade – os problemas relacionados à perda dessas áreas se perpetuarão”, completa Lucieta Guerreiro Martorano, que também assina o estudo.
MSN

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