Bolsonaro recebe visita de deputada alemã neta de ministro do Governo nazista de Adolph Hitler

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Deputada alemã Beatrix, von Storch e o marido Sven von Storch com Bolsonaro, Foto: Reprodução/Instagram

Após derrota de Donald Trump nas eleições americanas, Brasil ganha centralidade entre nações que pregam contra o que chamam de comunismo e defendem pautas ultraconservadoras.


A deputada alemã Beatrix von Storch, do partido de extrema direita AfD, esteve no Brasil na semana passada para diversos encontros com integrantes do Governo. Os brasileiros tomaram conhecimento depois que a deputada bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF) divulgou uma foto das duas na última quinta-feira, 22 de julho. “Hj recebi a deputada Beatrix von Storch, do Partido Alternativa para Alemanha [AfS], o maior partido conservador daquele país.

Conservadores do mundo se unindo p/ defender valores cristãos e a família”, escreveu Kicis em sua rede social.
A foto causou choque, especialmente pelo fato de Storch ser neta de Lutz Graf von Krosigk, ministro de Finanças do Governo nazista de Adolph Hitler. Nascido em 2013, o partido AfD é alvo de investigação do serviço secreto alemão por conexões com atos extremistas no país.


Nesta segunda, 26, uma nova foto de von Storch circulou, mas desta vez ao lado do presidente Jair Bolsonaro. A imagem foi postada no Instagram da alemã, em que agradece ao presidente brasileiro “a amistosa recepção”. “Impressionada com sua clara compreensão dos problemas da Europa e dos desafios dos políticos de nosso tempo”, escreveu ela, sobre Bolsonaro. “Em um momento em que a esquerda está promovendo sua ideologia por meio de suas redes e organizações internacionais em nível global, nós, conservadores, também devemos trabalhar em rede mais estreitas e em nível internacional por nossos valores conservadores”, completou.


Não é primeira demonstração de proximidade da base de Bolsonaro com grupos extremistas. No final do ano passado, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) promoveu uma live com o líder do Vox, Santiago Abascal. Um ano antes, o deputado esteve na Hungria com o premiê Viktor Orbán, do partido Fidesz. Em comum entre a AfD, o Vox e o Fidesz, a busca por pautas conservadoras radicais, a xenofobia, a hostilização à esquerda e à imprensa.


O Brasil virou terreno fértil para expandir suas ideias sob o governo Bolsonaro, que ainda traz um elemento extra: após o fim do Governo de Donald Trump nos Estados Unidos, a ofensiva ultraconservadora colocou no Brasil de Jair Bolsonaro todas as suas fichas, considerado o país com maior influência de consolidar a agenda ultraconservadora.
O papel do Governo brasileiro ficou claro em janeiro de 2021, quando funcionários de alto escalão de Trump enviaram mensagens a outros países informando que projetos que tinham sido conduzidos pela Casa Branca seriam assumido a partir daquele momento por Bolsonaro.


Seria do presidente brasileiro a função de liderar a aliança internacional ultraconservadora criada para influenciar as decisões da ONU, OMS e outros organismos. A informação faz parte de um e-mail enviado a colaboradores por Valerie Huber, a pessoa escolhida pela Casa Branca no governo Trump para tratar de temas de saúde da mulher. Numa mensagem de 20 de janeiro de 2021 obtida pelo EL PAÍS, Huber anuncia que o Brasil, gentilmente, ofereceu-se para coordenar essa “coalizão histórica”.

A deputada bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF) com a deputada alemã Beatrix von Storch, do partido de extrema direita Alternativa para Alemanha. Foto: Reprodução Twitter


A coalizão de cerca de 30 países ganhou o nome de Declaração de Genebra e se transformou numa referência das alas mais radicais em movimentos religiosos. “Países que desejam se unir à Declaração podem fazer isso contatando a embaixada do Brasil nos EUA, por mais detalhes”, explicou. Huber foi a pessoa que arquitetou a coalizão e, ao longo dos últimos meses, costurou uma aproximação importante com a pasta de Damares Alves.

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