A trajetória do “dono” do PL envolvido no mensalão que recebe Bolsonaro no partido para disputar as eleições de 2022

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Presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, é o “dono” do partido: histórico de articulação política e de condenação pelo STF| Foto: José Cruz/Agência Brasil

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, retornou de vez aos holofotes da política ao negociar a filiação do presidente Jair Bolsonaro ao seu partido. Com perfil histórico de articulador de bastidores, Costa Neto espera, agora, recuperar um protagonismo perdido desde os envolvimentos no escândalo do mensalão.

Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 7 anos e 10 meses em 2012 pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Costa Neto, um dos principais aliados de Bolsonaro do Centrão, foi preso em 2013 após a Suprema Corte rejeitar os embargos infringentes apresentados pela defesa e decretar o trânsito em julgado do processo contra ele de 7 anos e 10 meses.

Mesmo do Centro de Progressão Penitenciária (CPP), onde cumpriu sua pena antes de receber o perdão de pena do ministro Luís Roberto Barroso, do STF, em 2016, Costa Neto manteve o controle sobre o PL e, consequentemente, sua sobrevida e expressão no cenário político.

Na gestão Bolsonaro, ele emplacou a deputada federal Flávia Arruda (PL-DF) como ministra-chefe da Secretaria de Governo, fez indicações no Ministério da Saúde, no Banco do Nordeste e no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, que teve um Orçamento de R$ 54,4 bilhões aprovado para 2021.

O perfil de articulador e “cumpridor de promessas” sempre rendeu a Costa Neto respeito, prestígio e poder entre seus pares. Não à toa que ele é “dono” do PL há tantos anos. O comando com punhos de ferro sobre a legenda atraiu Bolsonaro pela promessa de acomodar aliados da base ideológica e ceder espaços nos estados para que o presidente indique candidatos ao Senado.

Ao lado do ex-deputado Valdemar Costa Neto, dono da legenda, o presidente Jair Bolsonaro formalizou sua filiação ao PL no dia (30), em ato que reuniu todas as lideranças do Centrão e consolidou sua base parlamentar, além de fortalecer sua campanha nos estados do Norte e do Nordeste.

O grande constrangimento na festa, porém, foi causado pelo senador Flávio Bolsonaro (RJ), que também se filiou à legenda. Ao discursar, o filho 01 chamou o ex-presidente Lula de ex-presidiário, principal concorrente do pai de Flavio. Acontece que Costa Neto também é um ex-presidiário, com a diferença de que suas condenações não foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O próprio Flávio Bolsonaro é um político enrolado com a justiça, porque responde a processo no caso das “rachadinhas” do Rio de Janeiro, se segurando pelo seu foro privilegiado de senador no STF.

O discurso causou mal-estar entre os políticos do Centrão no qual o PL faz parte, principalmente os que ainda estão respondendo a processos no Supremo.



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